Retrospectiva
de 2016 e Perspectivas para 2017
Meus caros amigos,
O ano de 2017 já está a
decorrer, pelo que é tempo de fazer um balanço de 2016 e deixar, publicamente,
alguns (inevitáveis) agradecimentos. Depois, cumpre-me, ainda, anunciar, o que
temos para oferecer no presente ano:
O ano de 2016 foi,
para a colónia Felício & Filho, o
ano de todas as decisões. Depois de, nos últimos meses de 2015, o patriarca da
família ter estado “às portas da morte” e as provisões mais pessimistas, terem
obrigado à cedência total da colónia (o que se viria a concretizar, como sabem),
as melhoras registadas pelo sr. João Felício (meu pai), sobretudo a partir dos
meses de Março/Abril de 2016, permitiram a difícil, mas desejada decisão de
continuar a prática columbófila, sobretudo na vertente da criação (reprodução).
Recorde-se, a este propósito, que é o meu pai que trata dos pombos na Golegã,
uma vez que eu, João Paulo Felício, moro (Vendo do Pinheiro) e trabalho
(Lisboa) a mais de 120 kms do lugar onde está localizado o pombal.
Não tivemos que
recomeçar, propriamente, do zero, mas a verdade é que estivemos lá próximo. É
preciso não esquecer que possuíamos uma das maiores e mais bonitas colecções de
pombos de cor chocolate do país e nada, ou quase nada, sobrou para “contar a história”,
como se costuma dizer.
De igual forma, a
vasta colecção de consanguíneos do “Kannibaal” (também ela uma das maiores do
país, onde se destacava a presença de 4 originais Van Dyck, de 3 netos e 3 netas daquele pombo), ficou reduzida a uma
neta (já de idade avançada) e a uma bisneta, que a escassez de tempo, não
permitiu colocar, atempadamente, em leilão.
O mesmo sucedeu com a
variada colecção de pombos da linhagem Van
Loon (composta por mais de 20 efectivos), em que a esmagadora maioria foi
leiloada em Espanha e também ela ficou reduzida a uma neta do “Silver Shadow”,
que conta já com 10 anos de idade, ao neto do “Grisalho 030”, do Sol Nascente (que esteve reservado
durante alguns meses, mas que acabou por nunca ser efectivamente pago…) e a uma
filha do Van Loon, do Paulo Campos que, no dia em que o meu foi internado,
estava no “caco”, em idade de anilhar. Contudo, como já regressei muito tarde
do hospital de Abrantes, onde deixei meu pai foi internado após 9 longas horas
de espera, já não tive tempo de lhe pôr fim à vida, como já tinha acontecido
com todos os outros borrachos que nasceram por aqueles dias. O certo é que a
borracha foi ficando para ali esquecida, até que, dois meses mais tarde, dei conta
da sua existência e verifiquei que estava, naturalmente, desanilhada. Não
obstante, a sua (enorme) beleza e a sua (extraordinária) qualidade em mãos,
fizeram-me perder a coragem de lhe “torcer o pescoço”, pois a cedência total da
colónia já “estava em marcha” e uma fêmea desanilhada não me servia para nada… não
obstante, em boa hora lhe poupei a vida, pois é hoje uma reprodutora de inegável
categoria, seguindo convictamente as pisadas de seu pai, cujos filhos e netos
já fazem as delícias em muitos pombais por essa Península Ibérica fora (muitos
deles foram, portanto, cedidos para a vizinha Espanha).
Sorte diferente também
não tiveram os Braspennings,
igualmente leiloados e vendidos em site espanhol, tendo sobrado apenas uma neta
do “De Felle”, que chegou a ter inúmeros pretendentes para a sua compra, mas que
nenhum “se chegou à frente” com o valor que pretendíamos por ela, aliás, ao
longo de todo o processo de cedência da colónia, sempre afirmamos que, enquanto
houvesse alguém que, diariamente, desse comida e água fresca aos nossos pombos,
nada daquilo que deu tanto trabalho a criar e tanto esforço para construir,
sairia dali cedido ao desbarato ou a preço de saldo, pois não era,
propriamente, a necessidade de realizar dinheiro (que dá sempre tanto jeito, confesso!),
o que nos movia, mas sim a inexistência de alguém que pudesse cuidar dos pombos
nas devidas condições.
Foram também cedidos
os Kirkpatrick, o casal de Soontjens, os Heremans-Ceusters (a cedência do neto do “Den Euro”, o pombo base
da colónia, foi, de longe, o pior negócio que fizemos e a falta que nos faz
hoje…), os Bosua, os Symon (apenas restou um neto do vermelho
velho de 2001, o pombo base do Braulino), os Cattrysses, grande parte dos Tonecas,
os consanguíneos do “Romario” mais valiosos, todos os Opais da linha do Van
Winkel e os Ludo Claessens, que tão
boa conta deram na campanha de 2015 (sobrou uma neta do “Late Lange Vos” que,
estranhamente, não teve pretendentes à sua aquisição).
E para agravar ainda
mais a situação, a matriarca da família, que preciosa ajuda nos dava a tratar
dos reprodutores, foi operada a um cancro no útero, mal contra o qual luta desde
2015 e a impede de tratar do que quer que seja no pombal (e não só!).
Mas, como a “força de vontade
move montanhas”, como lá diz o ditado, e como contamos, também, com a (preciosa)
ajuda de alguns amigos, como o António Prates, de Vendas Nova (que nos ajudou a
reconstruir a linhagem dos Cattrysses,
dos Fabrys e dos Van Loons, das velhas linhas e ajudou a
implementar, também, a linhagem dos Grondelaers,
com a oferta de um casal de exemplares puros, da linha do “Buda”, do “Moreno” e
do “Super Kweker”), do José António, de Bucelas (onde fomos buscar alguns Symons, uma neta do “Branco” do Galvão
e mais alguns exemplares), do Carlos Galinha (que, mal se apercebeu da nossa
continuidade, se apressou a “devolver” os exemplares que lhe havia ofertado e
que tanto jeito me dão, agora, para assegurar a continuidade da linhagem a que
pertencem!) e do Braulino (pombal do qual trouxemos mais alguns Symons e Braspennings, e os primeiros Belgas
do Xico e Hansennes, todos eles rigorosamente
escolhidos pelas minhas próprias mãos), juntamos, assim, as (poucas) cinzas que
restavam e do pó reerguemos o castelo, o tal que, inicialmente, era areia, mas que,
a pouco a pouco, se foi transformando, de novo, numa bela e sólida
fortificação. A estes (grandes) amigos fica, portanto, o meu primeiro “muito
obrigado!”.
Contudo, e desde a
primeira hora em que anunciamos a nossa continuação, ouve quem nos alertasse
para o facto de que, essa decisão, poderia ser mal compreendida. Felizmente,
verificou-se, precisamente, o contrário e depressa recebemos várias mensagens,
telefonemas e e-mails vindos de todo o lado, a incentivar-nos no nosso
propósito e a congratularem-se pela nossa decisão.
“Contra ventos e
marés”, e mesmo com a “crise” que assolou o país ainda a fazer-se sentir, os nossos
leilões de 2016 foram, como sabem, um êxito e, em alguns deles, quer no que
respeita a valores atingidos, quer no que concerne ao número de pombos
vendidos, chegamos mesmo ao difícil patamar dos principais leilões da
concorrência. A todos os que nos incentivaram a continuar e a todos os que persistiram
a acreditar no nosso trabalho, continuando a adquirir os nossos pombos, fica
aqui o nosso segundo “muito obrigado!”.
Depois, como era
necessário não desfraldar as espectativas, fruto de algum (significativo) investimento,
fomos directamente a duas das mais importantes “fontes” de raças nacionais e,
no pombal do saudoso Fernando Pliças,
negociamos com o seu filho, José António,
a aquisição de dois casais de Belgas do
Xico (já em 2017, fomos lá buscar mais 3 exemplares para consolidar a
implementação da linhagem) e, no pombal do Mário
Real & José Manuel, investimos, forte(!), num casal de Armindos & Caracinhas (de lá
chegou, também, um filho do pombo-base, o “Pitbull”). Puxamos, igualmente, os
“cordões à bolça” e, com o TPP, negociamos a aquisição de uma neta e
consanguínea do “Figo”, de A. & H.
Reynaert (apesar de pura daquela linhagem, trata-se, porém, de uma original
Herman Beverdam. Anteriormente já
havíamos adquirido uma bisneta e um consanguíneo do mesmo pombo e do pombal do
Paulo Campos, adquirido em leilão, por uma bela quantia, veio também um bisneto
e consanguíneo).
Através de uma
permuta, vieram, ainda, 2 filhas do “Russo Velho” e, directamente, do C.I.C.,
veio mais um neto, para ajudar a fortificar a colecção dos Tonecas.
Foram adquiridos,
também, dois bisnetos e consanguíneos do “Kannibaal”, um deles original da
Ponderosa, dos Eijerkamp e outro do
“Sol Nascente”. Veio, ainda, uma consanguínea, alemã, do “Silver Shadow”. E, ainda
desta última linha, o nosso amigo Luís
Cereja ofereceu-nos dois lindíssimos consanguíneos daquele pombo, filhos de
um casal que havíamos ajudado a formar, com a oferta do macho.
À reduzidíssima
linhagem de Braspennings, juntamos
um neto(!) do “De Felle” (original da Louella
Pigeon World) e, do pombal do Braulino, chegaram um casal de consanguíneos
do “Kleine Lichte”.
Para a linhagem Jan Aarden, entraram uma neta do “Red
Rum” e do “True Grit” (original da Louella, de onde está também para chegar um
bisneto, de cor vermelha, do “Red Rum” e do “Maarten”), um consanguíneo do
“Black Giant”, de Van Wanroy, e uma
consanguínea do “Dolle”, de Marijn Van
Geel. Para enriquecer a linhagem Janssen-Arendonk,
adquirimos um neto do pombo-base de SG Steffl, o “Dunker Eijerkamp” e, mais recentemente,
em leilão do C.I.C., licitamos um filho(!) ardósia da original Janssen-Arendonk, a “Rosalinda” (o
mesmo é, ainda, neto do também original Janssen, o “Louis”).
Para dar à linhagem do
momento, os Heremans-Ceusters, a
dignidade que a mesma merecia, entrou um bisneto e consanguíneo do “Jan”
(original Flanders Collection), e do
pombal da consagrada columbófila belga, Marina
van de Velde (que voa, sobretudo, à base daquela linhagem), entraram dois
consanguíneos do “Olympiade 003”, em que um deles é também bisneto da “Wonderaske”
e o outro é, igualmente, consanguíneo do “Nieuwe Olympiade”. Do TPP, entraram
duas lindíssimas bisnetas dos dois pombos base da dupla formada por Leo Heremans e Karel Ceusters: o “Olympiade 003” e o “Den Euro”.
E se a nossa linhagem Huyskens Van-Riel se resumia, apenas, a um casal, vindo da Louella, na impossibilidade
de voltar a investir, forte, naquele centro de criação inglês, optamos por uma
solução “mais em conta”, mas também de qualidade, e mandamos vir um macho e uma
fêmea do cento de criação S. C. & A.
F. (ambos puros!)
Do pombal da Família Nascimento Pedro, adquirida em
leilão, veio uma filha(!) da “Rosa Mota” (Koopman x Fabry) e, também no mesmo
leilão da concorrência, fomos adquirir um neto do “Burano” (original do Cândido
Regal). Entre outros.
Para implementar,
devidamente, a linhagem Grondelaers,
adquirimos uma filha do “601” do Paulo
Campos, sim, leu bem, uma filha(!!) de 2005, da qual já tiramos dois filhos
que passaram directamente à reprodução e, do mesmo pombal, recorrendo novamente
ao leilão “on line”, veio também um neto e consanguíneo do mesmo pombo.
Recorremos, por fim, à
“prata da casa”, para passarmos directamente para a reprodução vários bisnetos
do “Kannibaal”, do “Silver Shadow”, do “De Felle” e do “Sunset” (linhagem Kirkpatrick).
Em suma, 2017 vai ser,
portanto, um ano em que, uma vez mais, vamos apostar tudo na criação
(columbicultura), embora tenhamos reservado um pequeno grupo de 80 pombos (a
maioria deles borrachos de 2016) para o meu pai se ir entretendo a mandar a
alguns concursos. Face à minha distância física do pombal e às (graves)
limitações de saúde dele (sobretudo no que respeita às suas capacidades
respiratórias), nunca poderá ser nada verdadeiramente “a sério”, mas estou com
alguma curiosidade para ver como as coisas correm.
Para quem tem confiado
no nosso trabalho, fica a promessa de trabalharmos para atingir a (difícil)
meta dos 70% de aproveitamento, por mais estranho que este número e este
discurso possa parecer aos mais ingénuos. É que, em parte nenhuma do mundo,
acreditamos que, mesmo os mais consagrados mestres da columbofilia mundial,
consigam taxas de sucesso superiores. É sem qualquer pejo que afirmamos, que
quem acredita no contrário, vive num mundo de ilusão e quem afirma conseguir
melhor, só pode estar a mentir. Só os vendedores da “banha da cobra” enveredam
por este caminho. Temos, portanto, a plena consciência que tudo aquilo que
cedemos agradou e tudo aquilo que iremos ceder de agora em diante, irá agradar à
esmagadora maioria, mas os outros trinta porcento que restam e que constituem a
(inevitável) taxa de insucesso, irão ficar há quem das espectativas. E assim
continuará a ser, pois são, realisticamente(!!), estes os números em que
acreditamos. Nenhum outro motivo de ordem (puramente) comercial nos fará mudar
este discurso verdadeiramente realista, por muito que isso nos possa custar.
Pelo que deixo, portanto, uma garantia e três promessas. A garantia, a única,
possível em columbofilia, é que prosseguiremos sempre com honestidade do costume e que sempre nos caracterizou. As promessas
são: trabalho, árduo trabalho e mais trabalho ainda!
A todos desejo uma boa companha desportiva.
João Paulo Felício